Resenha: The X Factor – Iron Maiden (1995)

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Um clássico esquecido. É assim que defino o primeiro dos dois trabalhos da donzela de ferro a contar com o vocalista Blaze Bayley, que teve a ingrata (ou dependendo do ponto de vista, grata) tarefa de substituir a lenda, Bruce Dickinson que deixou a banda para se dedicar a carreira solo.

The X Factor é um daqueles típicos trabalhos que exigem certa maturidade para se tornarem mais palatáveis. Os fãs mais juvenis do Maiden (inclusive, alguns que já passam da casa dos quarenta) e até mesmo a tal “mídia especializada” (na época) torceram, e ainda torcem o nariz para os trabalhos da era Bayley, os considerando fracos, medíocres e esquecíveis.

E esse tipo de mentalidade atrasada, disseminada entre conversas ou nas redes sociais, por uma maioria que muitas vezes acaba nos afastando de determinadas obras, ou como já mencionado, a nossa falta de maturidade. Vale ressaltar que em momento algum a intenção é a de me sentir superior por apreciar um trabalho que a maioria tende a massacrar.

Mas, se você amigo leitor já tentou ouvir o álbum e não gostou, está tudo bem, afinal existem muitas coisas no mundo pelas quais não vale a pena se digladiar. Música é uma delas!

“Onze homens santos encobertos. Silhuetas com as costas viradas para o céu. Um à frente com uma cruz erguida vem para limpar meus pecados”.

É com essas frases, que somos apresentados de forma soturna e sombria a Sign of The Cross faixa de abertura deste décimo registro de estúdio do Iron Maiden. Aliás, vale a pena ressaltar que a sonoridade apresentada como um todo no decorrer da audição é singular aos irmãos mais velhos de The X Factor, carregada de melancolia, ódio e passagens mais densas. Esses elementos podem refletir a fase de mudanças na formação que o grupo sofreu (a primeira baixa, o guitarrista Adrian Smith em 1988, sendo substituído pelo performático Janick Gers) e o processo de divórcio pelo qual o baixista Steve Harris passava na época.

O refrão da faixa faz menção a um grande clássico da literatura e dos cinemas, O Nome da Rosa, do grande mestre italiano Umberto Eco. A música de autoria de Harris é uma das mais longas da carreira do até então quinteto, com mais de 11 minutos de duração. Inclusive, acredito que foi a partir deste trabalho que a fase progressiva da banda engrenou-se de vez, estendendo-se até o atual Senjutsu.

Lord of The Flies é uma das minhas músicas prediletas deste play. Ela pode até enganar com um riff inicial um pouco mais convidativo e alegre, mas é ao analisar a letra, que encontramos um eu lírico disposto a viver todos os extremos de uma realidade própria, deixando a que vivemos completamente às moscas. Que refrão meus amigos, que refrão…

Tirando o ouvinte do clima mais denso das primeiras faixas do álbum, a enérgica Man on The Edge fora música que me fez conhecer a fase Bayley do Maiden, pelo videoclipe que passava constantemente em um icônico programa de videoclipes de TV local chamado Clip Fun.

A temática da canção faz referência a um clássico do cinema, Um dia de Fúria (1993) estrelado pelo ator Michael Douglas. O refrão dessa música apesar de repetido quase que a exaustão, consegue ser carismático e cativante. Afinal de contas, quem nunca pesquisou “Iron Maiden – Falling Down” ao tentar encontrar a música em alguma plataforma ou mesmo no Youtube?

E depois do clima enérgico deixado pelas duas faixas anteriores, o ouvinte é novamente arrebatado para uma atmosfera mais densa e deveras triste, com a introdução lamuriante de Fortunes of War. Para além desta aura mais soturna, somos apresentados a uma canção arrastada, porém, regada de melodias incríveis que permeiam os mais de sete minutos de duração em camadas completamente distintas, mas que no geral conseguem se encaixar e cativar.

Ainda carregada de melancolia, Look For The Truth traz uma das melhores performances de Bayley do trabalho. E apesar da ambientação ser muito semelhante com a faixa anterior, essa canção cresce de forma gradativa, e pode ser uma bobagem de minha parte, mas a considero um parente distante da clássica The Trooper.

The Aftermath retoma o tema bélico de Fortunes of War. De forma arrastada, traz uma letra focada na visão de um soldado, os questionamentos e o amargor causados pela guerra.

Judgment of Heaven é quase biográfica, retratando o período turbulento que Steve Harris passava na época, ao mesmo tempo em que traz trechos onde aparentemente o autor busca uma possível forma de retomada de controle, algo semelhante a um texto de autoajuda (não pejorativamente falando). Vale ressaltar, que o riff inicial dessa canção me trouxe um retrogosto de From Here to Eternity do álbum Fear of The Dark. Sem sombra de dúvidas, a faixa é outro ponto primoroso de The X Factor.

Uma incrível abertura com direito a solos de contrabaixo dá início a furiosa Blood on the World’s Hands, que funciona como uma nota de repúdio a todas as mazelas de nossa sociedade e a total indiferença de todos nós para reagir e lutar contra esses problemas que nos assolam.

The Edge of Darkness carrega a inspiração de um grande clássico do cinema, Apocalipse Now do icônico Francis Ford Copolla. Aqui percebi uma estrutura bem semelhante a Hallowed Be Thy Name, porém, bem menos inspirada que a faixa de The Number of The Beast. Uma boa faixa que inicia o desfecho do décimo trabalho do Maiden.

Crítica: Apocalypse Now Redux (1979, de Francis Ford Coppola) - Minha Visão do Cinema

A exaustão da rotina cotidiana é apresentada em 2AM e a falta de perspectiva e fé em The Unbeliever.

E assim chegamos ao fim desta obra tão singular na carreira de uma das bandas mais importantes do Heavy Metal. É muito gratificante perceber o quanto esse trabalho ganhou força no conceito da maioria dos ouvintes. De fato, The X Factor causou um verdadeiro rebuliço quando chegou às lojas no dia 02 de outubro de 1995. Muitos fãs torceram o nariz para a escolha que Steve Harris e seus companheiros fizeram, ao escolherem Blaze para o posto que outrora fora de um vocalista do gabarito de Bruce Dickinson.

Não me entenda errado amigo leitor, ambos os cantores são muito bons no que fazem, porém, são de universos totalmente diferentes. E isso é nítido a partir dos primeiros segundos de audição do álbum, o que a meu ver, não foi algo ruim, mas entendo perfeitamente aqueles que viraram, e ainda viram a cara para este trabalho. Se hoje fizeram isso com o Senjutsu, que conta com os seis gigantes, quem dirá naquela época, e ainda mais com um vocalista estreante.

Outro ponto que dá singularidade ao trabalho é a capa, produzida pelo lendário artista gráfico canadense Hugh Syme, que anteriormente trabalhou com outras grandes bandas como o RushMegadeth e o chatíssimo Dream Theater. A arte impressiona por trazer o mascote Eddie, com uma roupagem e traços mais realistas, muito diferente dos célebres traços que o público estava acostumado até então.

Em suma, The X Factor é uma daquelas obras que muitos amam e outros amam odiar. A partir desse primeiro registro, o Iron Maiden começou a sentir o peso das escolhas que fizera, sentindo os primeiros impactos nas turnês, críticas “especializadas” e nas vendas. Esse momento ainda se intensificaria com a chegada do questionável Virtual XI. Mas essa, é uma outra história…

 

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